ideias equivocadas sobre amor

fazem-nos enxergar tudo invertido. e sentir. na noite em que pegou fogo em nosso Mercado Público, tudo está estranho. tudo está estranho já há algum tempo, e me pergunto o por que de tudo estar cada vez mais assim. consequentemente, me questiono sobre o orixá Obaluae, um dos regentes do ano, conhecido como caboclo do fogo.

o fogo é destruição. para que haja transformação é preciso que haja destruição. é preciso que algo morra, para renascer.

é preciso que as pessoas entendam o que é amor. amor não tem nada a ver com a necessidade pela disponibilidade do outro. o nome disso é dependência emocional.

muitas vezes se não te deixo doente, é por que te amo.

e não o contrário.

e agora já não sei eu qual é o meu limite, se este que conheço é ou não é o mais adequado pra mim. me perco.

desconfio apenas, de que preciso da paz de fazer as coisas com amor. todas as coisas. mas como saber onde está o equilíbrio? como eu posso saber se o meu ponto não é exagerado? quem sou eu para julgar?

quantas questões cabem no meu dia. dias estranhos. o que acontecerá? estávamos preparados para a era de aquário?

não.

destilar picuínhas em pequenas doses também não é algo que eu mesma faça quando estou sem controle? como medir essa quantia? como decidir qual é quantia aceitável dentro de um relacionamento, seja qual for?

hoje mesmo pela manhã a melancolia já estava no ar.

eu a pude sentir.

que coisa.






escrevo para não ter que fazer outras coisas

como comer.
ou rezar.
ou limpar.

é domingo. o dia que acordou quieto com nuances perfeitas de sol e de cor. sem sons. sem grandes sons. apenas sussurros. sussurros do dia leve.

minha alma está serena mas não completamente - como sempre.

hoje foi um dia tranquilo.

controlar a afobação. isso é bom.

respirar fundo, 3 vezes. concentração. trazer a consciência pro corpo, pro agora, pra cá.

lembrar

sorrir

cantar

sonhar

Baltazar

o vinho que comprei era horrível

      não sei se era mesmo ruim ou sou eu que não entendo. não sou capaz de distinguir sobre isso, porque francamente, não entendo mesmo. preciso entender. mais uma coisa pra lista de coisas a aprender. tal qual lixar e pintar paredes de cozinha de branco, arrumar a descarga do banheiro, (talvez tenha que desentupir, mas isso foi com Charlene), consertar cadeiras, colocar prateleiras e coisas pesadas com furadeira. Basicamente isso. veja como a vida é singela! Não te parece? É tanto o que fazer que é impossível dar conta, vai tudo pra uma lista! Descobri porque as pessoas precisam ganhar mais: para ter assistentes. Fuck!

amar é sofrer.

estou com o canal super aberto e isso me afeta seriamente. é engraçado como não sei muito bem como direcioná-lo, foco-o como uma luz, nos lugares errados. sinto que preciso direcioná-lo criando algo. por isso decidi escrever. sempre que sofro por algum motivo da vida, eu fico criativa. é quando tenho como, e isso soa perversamente engraçado. não fosse terrivelmente triste. mas aí, abre o canal. e não sei bem como fechá-lo, e nem acho que essa seja a ideia. acredito que é exatamente a forma correta aproveitar o canal para criar. 

estou em nervos. nervos frisantes, olhos delirantes, ombros tensos. tá certo que muita coisa se deve a este mês de junho estar sendo tão tenso por ele mesmo. vou pegar uma pizza e já volto.

os guardanapos de papel acabaram. os dedos, cheios de azeite de oliva precisam de um pano seco, nem que seja. o azeite pinga na almofada, e depois no teclado. limpo.

pinga na minha blusa. tiro. vou ali limpá-la, e já volto.

tenho ódio quando alguém é idiota comigo e eu faço a tonta. sério, isso me dá ódio, e ódio é um sentimento que me gera tristeza, assim como o estres. nunca sei como se escreve estres. estres é muito estranho, pois parece que a palavra não tem a mesma força escrita desse jeito.

falta algo.

o que acontece comigo deve acontecer a milhões.

por que nós, seres humanos, somos imbecis?





entrou fumaça no meu olho,

mas não foi por causa das manifestações..

Digo, não foi gás lacrimogêneo, foi fumaça de beck mesmo. é, eu não poderia deixar desse assunto agora porque penso nisso e falo disso quase que o tempo todo. isso está por tudo, sinto todas as esferas ao meu redor tilitando política. e isso é realmente incrível, talvez a coisa mais bonita que tá acontecendo, e que ninguém tá dando bola. 

um dia vão dar. 

eu vim pra casa pensando nisso, hoje, de maneira calma. eu estou calma. estou calma porque fiquei doente, e ficar doente é se obrigar a ficar calmo. se pôr doente é uma maneira forçada de dizer a si mesmo: pare um pouco, por gentileza. se acalme. eu fiquei doente e no auge da minha doença de um dia eu fiz uma coisa ridiculamente absurda. ai, como sou patética! Fuck me. 

por que os românticos precisam ser descontrolados? Alguém já encontrou a medida entre o desejo e o sofrer? O romantismo está fadado ao anti- evolucionismo do estilo? Porque eu meto os pés pelas mãos? Porque embebedei e entrei no facebook a mandar mensagens absurdas e mal escritas para alguém cuja própria distância já impõe o caráter do que não acontece? onde encontro o momento em que sufoco a consciência? 

onde está o segundo onde perdi a razão? como pude deixá-la ir? isso nunca no universo poderá ser considerado saudável. nunca.

algo está demasiado errado. algo, algo, algo está muito estranho! o mundo está confuso, está efervescente demais pra mim e isso me afeta, eu me fervo também e meto os pés pelas mãos. é, é isso.

um parêntese: o Mazzaropi é mesmo muito bom. estou vendo agora mesmo enquanto escrevo. é um filme lúdico, inocente, caipira e bucólico, com leve aura de sonho (embora também eu sempre veja aura de sonho em quase tudo). 

não, não é bem isso. pode ser isso um pouco, mas isso não é tudo. isso é apenas uma coisa. a ansiedade me mata, viver mata. 

um dos gatos ficou doente. O Bolacha. está internado num hospital de bichos. ele está se recuperando, e espero que se recupere bem e volte logo para casa. isso também me afetou, isso também me influenciou muito essa semana. que semana, aliás.

é uma semana que entrou para história, de qualquer forma. se não tivesse entrado pela história do mundo, pelo menos estaria na história da minha vida, de algum jeito. e chove sem parar. para completar.

em relação ao que fiz posso dizer que não me perdoarei nunca, e que é o tipo da coisa que serve de alerta para todos nós: não entre no facebook bêbado. 

em hipótese alguma. se você não tem um lance, você vai tentar inventar. se você tem um lance, vai estragá-lo. e se você apenas não tem nada com uma pessoa mas está apaixonada porque já esteve com ela em outros momentos, você corre o sério risco de se foder legal, cara.

eu me fodi em primeiro lugar comigo mesma. é óbvio, caí no meu conceito, (tá, bate um marta medeiros feelings. mea culpa patético. pronto, passou).

agora está passando na tv um programa sobre os colonos italianos. mondo trasho. não, não é este o nome. mas o programa é igualmente bizarro. não estou dizendo que é ruim. é muito bom. o canal é TVE. comprova que a televisão é bizarra por si só. é uma série, uma série documentário. é maravilhosamente bizarro.

lembrei que agora uso óculos! mais um acontecimento essa semana! vou buscá-los. passei a descrever tudo... volto ao ponto. estou facilmente distraível. acho que estou escrevendo para ele. gostaria que ele lesse, gostaria que ele prestasse atenção em mim. foi por isso que enviei-lhe mensagens tão infantis. essa é uma tentativa, uma tentativa a mais de chamar-lhe a atenção, mas uma tentativa resignada, pois eu sei que ele não vai ler. é, na verdade, somente uma forma de alívio; uma maneira de extravazar esse sentimento. porque é isso, né? é isso, porra. quando se apaixona, se fode por isso, o sentimento gera uma puta energia e não temos com quem trocar, porque essa troca tinha que ser feita com aquela pessoa específica, e então esse foco é a poesia. então tu fica com a batata quente que gerou, e essa batata quente é um amor, ó céus, veja só, como a paixão se torna um fardo?! 

a paixão é pra mim um tipo de amor. 

e assim, como espiral falante, volto ao ponto: a arte é feita da insatisfação. 

eu juro que não queria. 

por que eu fico tão afim desse cara?  por que ele me rejeita? por que me ignora? como posso me apaixonar por isso? sou anormal?

sim, a resposta é sim. 

isso nunca poderá ser considerado normal. nunca.

tenho a sensação de que nunca mais me apaixonarei por ninguém. essa é uma característica idiota da paixão: sensação de irrevogável, infinito e último. eu sei que vou, mas tenho a sensação de que não. é difícil explicar o coração. eu tenho plena consciência de que ele não me quer. e escrevo agora para que entre na minha cabeça de uma vez. 

minha cabeça parece um chapéu mexicano right now. os homenzinhos estão todos girando nele, enlouquecidamente. resolveram se divertir. afu. óh homem idiota, o que você pensa? por que não me quer? confesso que meio que não admito alguém não me querer. tenho vontade de forçar a pessoa a que me queira. Porra, eu sou legal. ahahaha. fucking crazy.

chove pra caramba. fiz comida, cuidei de mim. acredito que é esse o caminho, já escrevi isso. é isso aí.

o caminho é cuidar de si. 

como fico sem amor: não sei. é difícil não ser bajulado e não ficar sonhando em dividir as coisas, rir, transar enlouquecidamente com a mesma pessoa e viver, coisas boas e até as ruins. que piegas. mas é assim. é bem assim...

essa onda vai passar

É bem estranho ter a sensação de que gosto de alguém mais do que esse alguém gosta de mim. Pelo menos para mim isso é esquisito. É bem verdade que estou acostumada com as pessoas a me amarem, mas puxa, ninguém quer que isso aconteça, todos esperam no fundo que a pessoa retribua igualzinho. Não é assim que ocorre. Não na maioria das vezes. É comum a pessoa não estar nem aí pra você. É, a pessoa está se lixando mesmo, e não tem muito o que fazer, pois não acredito em macumba. Não há muito o que fazer, a não ser controlar os dedos para não ficar lhe escrevendo, mandando mensagens, perguntando coisas, declarando outras.

Hoje mesmo enviei: 'tenho saudades tuas'. Porra!, depois pensei, um segundo só e já estava um tanto arrependida, outro tanto desolada, um pouco foda-se também, me deixa falar o que tenho vontade. Mas é uma merda. Cara, é uma merda. É imbecilizante, meio patético, tão estúpido!

Eu, que sou em geral uma pessoa que se sente segura de si e das próprias escolhas, eu, que sou super de boa e tento levar a vida da melhor forma possível, vivendo minha história, sendo honesta com amor no coração e muito egoísmo (não é meu privilégio), eu, que trabalho pra caramba pra fazer-me crescer pessoal e profissionalmente, que sustento 3 gatos, que administro uma casa aos trancos e barrancos sem deixar a peteca cair, eu, que tenho um pingo de cultura e um bando de amigos tão insanos quanto eu, eu, que tenho uma puta família que está sempre do meu lado, eu, eu mesma, que muito já fiz e aconteci, que tenho tantas outras prioridades na vida, eu, estou nesse momento assim.

E definitivamente não quero estar.

Infelizmente para não estar assim eu precisarei me desligar da pessoa que não me dá bola, ou melhor, é óbvio que me dá bola, mas me dá quando lhe convém, porque não me desse eu nem estaria escrevendo sobre isso. É óbvio que a pessoa me dá bola, é por isso que estou assim, o que é muito pior. Não há nenhum problema em alguém não me querer. Eu entendo isso perfeitamente. Eu mesma não quero a grande maioria das pessoas, aliás, quero sim, bem longe.

O problema é a pessoa que diz que te quer, ou não diz nada, mas te trata como se quisesse. Só que no fim mesmo ela não quer, ela te trata desse jeito que é a forma medíocre que encontrou de salvar o próprio ego do seu próprio rabo. Seria isso?

Acho que sim. A pessoa não te quer de fato, mas ela precisa te manter em banho maria para que ela possa foder com alguém de vez em quando, ela mantém a chama acesa não porque ela sente o mesmo que você, mas porque ela precisa dessa sensação para alimentar-se. Que barco furado. Quem quer entrar nessa? Eu que não.

Meus dias ficam confusos, minha vida fica confusa. Eu me pego pensando na porra da pessoa nas horas mais impróprias, eu ouço uma música do Tom Waits e fico melancólica ao extremo, pensando: porque essa pessoa não me quer? porque eu quero ela? porque essa pessoa parece feliz quando está ao meu lado? seria cinismo, exagero, seria o que, afinal? porque eu penso tanto nisso, porque eu não consigo trabalhar direito, porque eu fico entrando na porra do facebook para ver se a pessoa me escreveu? PORQUE?

Só Deus sabe o quanto estou me esforçando para que tudo passe. A única maneira que me parece viável e real é a de cuidar de mim e tentar abstrair a existência do outro, tentar me distrair e me divertir, pensar que a vida é muito maior, que minha vida é muito maior e infinitamente melhor do que esperar por alguém que não quer vir. Deus sabe como é difícil. É toda uma logística: não entrar no facebook quando chegar bêbada em casa à meia-noite talvez seja a principal, deletar seu telefone para não correr o risco de enviar mensagens de carinho, dar-lhe o que merece, dar-lhe a indiferença de volta, e só isso. Não cair em armadilhas e aprender a dizer não também são coisas fundamentais. Pensar em si. Cuidar de si como sendo a pessoa mais importante do mundo, que pra gente, a gente é.

Seguir em frente. Os clichês não são clichês por acaso. Cabeça erguida, mas não pode fraquejar. O mais difícil. Segurar firme quando acontecer o momento da pessoa te procurar; segurar a onda. Dizer não morrendo de vontade de dizer sim. Isso é amor próprio. Como tudo parece óbvio.

Eu vou conseguir.






Nick Cave e o coração inflamado

Um disco do Nick Cave destroça meu coração, é noite, a tv está ligada no mute. minha vida saudável desapareceu, eu voltei a fumar, voltei a beber todos os dias e voltei a comer coisas gordas à noite. voltei a comer chocolate, parei de caminhar, de correr saudavelmente. até fiz outras coisas.

o facebook está ligado, os pés metidos em pantufas, de meia-calça, o Nick Cave fica dando um texto interminável, é quando meu coração descansa. está agitado. inflama ao longo do dia, desinflama, respira, revolta, silencia, descansa, respira, volta, silencia, agita, inflama, revolta, silencia, respira, inflama, aaaaah meu deus! que coisa que é isso maluca.

Essa música está destroçando meu coração. me pergunto porque eu sou assim, porque somos assim, sei que não estou sozinha, sei que me acompanha uma corja gigantesca, astronômica de gente que se sente no mesmo barco. o barco dos corações inflamados. 

o que inflama é o que me destrói. 
e tudo parece
so far for me. 
so far for me.

meus olhos já não enxergam como deveriam. sinto minhas pernas bambas quando me lembro daquelas imagens inusitadíssimas, o inusitado, este, que conduz a esperança de que tudo seja extraordinário. 
só que sempre. 

só que não é.
nunca é.
nunca vai ser.

e eu preciso me acostumar a aceitar como é. só que não consigo. mas juro que estou tentando, pois acredito.

o problema é que o resto fica um pouco comprometido... 

ufa! como isso é terrível! 

coração inflamado é pior que coração partido! 





quando você não é capaz de entender
quando você não entende mesmo o por que
o que fazer?

eu te liguei, tu me ligou
isso não importa
tu tava tão estranho
eu fiquei torta

porra, que caralho!
lembrei que eu passei horas pensando,
fiquei evocando
que este momento chegasse
e pra quê?
foda-se
isso não importa

eu fiquei morta.